Que vida precoce

Pra todo lado aonde vamos, o termo mais ouvido é ESTIMULAÇÃO PRECOCE. Não sei se por causa disso, mas ultimamente parece que está tudo muito precoce.

Eu, por exemplo, estou PRECOCEMENTE feliz por ter criado este blog. Mesmo tão recém nascido ele já recebeu tantas visitas agradáveis e comentários maravilhosos. Gente, muito obrigada mesmo, fiquei emocionada com as palavras de vocês. Valeu!

Também muito PRECOCEMENTE e antes mesmo de saber sentir tristeza de qualquer tipo, o Bruno “sofreu” uma grande perda. Faleceu seu pediatra, o estimado Dr. Nelson Nakamura…! Foi na sexta-feira passada, mesmo dia em que o Bruno teria sua consulta mensal, para mostrar o exame do coração e conversar tantos outros assuntos importantes… Foi uma tristeza muito grande para nós que ficamos aqui na Terra, apesar de sabermos que ele já tinha sua cadeira reservada lá no Céu, onde certamente será muito útil e feliz, tal o ser humano admirável que ele era, além de profissional de primeiríssima categoria. Com apenas 63 anos e dois filhos muito jovens, ele partiu muito precocemente. Mas… quem somos nós para sabermos a hora certa?

Jamais nos esqueceremos dele porque foi o Dr. Nelson que nos falou da Síndrome de Down. Graças a ele a minha história sobre “a notícia” é bem diferente da história de muitas mães que não tiveram a mesma sorte, e ficaram sabendo da síndrome de formas muitas vezes inapropriadas. No meu caso só não foi melhor porque o Dr. Nelson foi o SEXTO médico que consultou o Bruno, e ele já tinha 29 dias! Todos os médicos que o consultaram antes não viram… ou seja, não perceberam, não prestaram atenção direito nele. Até que eu, a mãe, notei que ele era “diferente” e constatei, consultando a internet, que ele tinha alguns sinais nítidos, como por exemplo a dobrinha única na palma das mãos, ao invés do famoso “M”. Só então levei o Bruno até o Dr. Nelson, pois o pediatra que cuidou da Elisa durante 2 anos e meio já tinha recebido o Bruno em seu consultório, quando ele tinha 10 dias, e disse que estava tudo “perfeito” com ele. Depois do exame genético (cariótipo) que confirmou o diagnóstico fiz questão de enviar uma cartinha ao Dr. Idair, este que não viu nada, assim pelo menos ele fica sabendo que cometeu um descuido bem sério, e quem sabe presta mais atenção nos próximos recém-nascidos que pegar. Já os outros 4 médicos foram: a pediatra neonatal que o viu no primeiro e segundo dia de vida no hospital, o outro pediatra que cuidou da icterícia, e os dois ortopedistas que avaliaram a questão da Displasia do Quadril. Ou seja, cada um só cuidou do seu “departamento”…

Graças a Deus pelo menos deu tempo do Dr. Nelson dar-nos preciosas dicas sobre o Bruno, inclusive indicando a fisioterapeuta que está cuidando do seu desenvolvimento motor, com sessões bissemanais de 40 minutos cada, a Dra. Lia, profissional muito experiente. E claro, o mais importante de tudo, ele nos deu a notícia de uma forma extremamente tranqüila, profissional e otimista. Obrigada, Dr. Nelson!

Muito PRECOCE também é a agenda do Bruno, gente. O rapaz tem 3 meses e mais compromissos do que muito adulto.

Ontem fomos ao Neuropediatra, que deverá acompanhá-lo durante as principais fases do seu desenvolvimento. A avaliação que ele fez do Bruno foi muito positiva. Só que saí de lá com uma certa insegurança porque ele pediu que voltássemos daqui a uns 10 a 15 dias, e levássemos o pai junto… Na saída confirmei se estava tudo bem com o Bruno, se eu podia ficar tranqüila, e ele confirmou que sim. Mas não nego que fique sismada. Será que ele queria dar alguma notícia muito traumática pra me falar sozinha?! Então hoje questionei a opinião da fisioterapeuta do Bruno, que havia me indicado este médico, e ela me explicou que esta é uma conduta normal dele, gosta de conversar sempre com o casal, porque na realidade a relação (casamento) sempre muda bastante depois do nascimento de um filho, especialmente no caso da Síndrome de Down, que requer uma dedicação ainda maior à criança. Então fiquei mais tranqüila, e refletindo depois e conversando com meu marido chegamos à conculsão de que, como diz o ditado popular, realmente o casamento “ou vai ou racha”. Ou seja, muitos casais se separam por não conseguir lidar com essa realidade, ao mesmo tempo em que outros vêm sua relação ser ainda mais fortalecida ao vivenciarem esta experiência. Dessa forma, fiquei mais tranqüila, e concordo com o Dr. Ivan que é melhor conversar com ambos. E espero, claro, que saibamos fazer tudo para estarmos no segundo grupo de casais, estes que ficam ainda mais unidos, mesmo sabendo que não é nada fácil!

Fomos também à Oftalmologista, e ela acha mesmo que o Bruno tem o canal lacrimal do olho direito entupido, por isso ele é mais fechadinho e junta secreção, além de mais lágrimas. Estamos tratando com colírio e massagens. Ela também dilatou a pupila dele e fez os exames de fundo de olho e visão. O de fundo de olho analisa a retina e o nervo óptico – estão normais! E quanto à visão, ele tem apenas um pouco de hipermetropia, mas disse ela que todo bebê é assim, e depois a tendência normal é ir diminuindo e desaparecer. Senão, precisará de óculos, mas isso é o de menos, dá até um certo charme, não acham???

Ontem o Bruno também passou por uma avaliação com os profissionais que trabalham na Associação Síndrome de Down aqui da cidade. Fomos conhecer na semana passada para começarmos a nos aproximar de pessoas que também têm filhos com Down, e conhecer melhor essa realidade para ser cada vez mais normal em nossa vida. Gostamos bastante, mas na hora dessa avaliação fiquei meio chateada, porque a mãe não entra junto com o bebê. Elas só me chamaram depois para dar algumas dicas e tirar algumas dúvidas. Como já passamos por váááários profissionais, sei mais ou menos como foram os “testes” que elas fizeram, mas custava deixar a mamãe ver?! Enfim, sugeriram que façamos a Terapia Ocupacional e a Fono lá, porque a Fisio já fazemos particular. Não sei, fiquei de pensar… Acho que vou optar pela TO, que faz a tal estimulação precoce, e a Fono vou continuar com uma que já conheci e me deu várias dicas que estou praticando com ele: uns tapinhas na boca toda vez que fica com língua de fora (principalmente dormindo), massagens para fortalecer a língua com aquela escovinha de colocar no dedo (igual a gente usa para massagear as gengivas quando estão nascendo os dentinhos), massagens na bochecha e queixo com uma buchinha macia, na hora do banho, também para fortalecer a musculatura, e oferecer chupeta várias vezes ao dia – apesar que ele não pega, não tem jeito, não quer nem saber de sugar, ele mastiga e cospe, uma comédia… Tudo pra ajudá-lo na habilidade de sugar e para diminuir a “hipotonia” dos músculos da boca e língua.

Depois da conversa na Associação eu já mudei a disposição do quartinho do Bruno (que é de Marinheiro, uma belezinha, depois publico uma foto), e coloquei o berço bem no meio, com passagens dos dois lados, assim o estimulamos a olhar tanto para a esquerda quanto para a direita. Encostado na parede, como estava, as profissionais de lá disseram que ele estava sendo estimulado a olhar mais para o lado direito. Como eu já tinha notado que realmente ele gosta muito mais de deitar e de olhar para este lado, resolvi seguir logo este conselho, e ficou legal. Quando a gente cansar eu mudo de novo, acho que é bom, né?

Para completar, hoje de manhã fomos conhecer uma nova pediatra para ele. Na verdade a consulta era da Elisa, porque ela também era paciente daquele pediatra que não viu a Síndrome, e agora não confio mais nele… Gostamos dela, e a consulta do Bruno ficou para o dia 02/03. Meio distante, mas sabe como é médico… De qualquer forma, hoje ele foi tomar as vacinas dos 3 meses (ai que dor na perninha…) e aproveitamos para pesá-lo lá. Deu 4,570 kg. Como ele nasceu com 2,5 kg, acho que está bom.

Bruno, quando você aprender a ler, vai ter muita coisa pra recordar de quando era bebê, meu filho, veja só que página enorme a mamãe escreveu…! 

Não falei que íamos ter muito assunto? Vamos em frente!

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7 respostas para Que vida precoce

  1. Matheus disse:

    Lu, essa foto dele sentado no berço realmente ficou muito linda.
    Bjos
    Tio Má

  2. Tia Maria Dinda disse:

    Que Picolino mais lindo que é esse meu afilhado!!!!
    Beijinhos da Dinda

  3. Jessica disse:

    Li todos os posts e me emocionei com cada um… Desejo aprender mais com você a cada dia!!!!!!
    Um beijão pra essa família linda!

  4. Pingback: A primeira gripe | Eu chego lá

  5. Flávia disse:

    Olá, acabei de saber da morte do Dr. Nelson, que foi meu pediatra, e estava procurando notícias sobre isso na net quando encontrei sua página. Muito triste isso, era um excelente médico. Moro em São Paulo e levei minha filha na primeira consulta nele há 4 anos e agora gotaria de levar meu filho…tarde de mais. Meu bebê está com 1 mês e na primeira consulta no pediatra aqui fiquei sabendo que ele tem essa prega única na mãozinha, mas ele me disse que não tem a Sindrome de Down, lendo seu blog resolvi investigar melhor.
    Seu filho é maravilhoso! Está de parabéns…com certeza você ganhou um serzinho muito especial para cuidar…Beijos

    • Flavia disse:

      Oi Luciana, obrigada por responder. Ontem meu filho já tinha consulta marcada num outro pediatra, comentei da prega única, ele me disse que não observou qualquer outra evidência de SD no Vicente, mas mesmo assim resolveu pedir o cariotipo para eu desencucar. Qual foi o procedimento com o Bruno? Só esse exame foi suficiente para confirmar? Também não acredito que tenha, estou muito tranquila, mas não custa fazer né…e também, se for para ser…vou amá-lo de qualquer jeito.
      Estou completamente apaixonada pelo seu Bruno, ele é muito maravilhoso!!! Parece ser tão feliz!!
      Beijão em vc e um especial no Bruno.
      Obs: Depois te conto do resultado do exame.

      • Mãe de Dois disse:

        Oi Flávia, percebi que você está mesmo confiante, isso é ótimo. Se os pediatras não viram nenhuma outra evidência, não deve ser mesmo. No caso do Bruno o Dr. Nelson viu vários sinais, e o geneticista também, mesmo assim ficou em dúvida. Eu me lembro que o geneticista disse que tinha 60% de chance de não ter (um chute), e ficamos torcendo pelos 40, não nego. Mas o cariótipo demora um pouco, estávamos no fim do ano, pedi e insisti que tivéssemos o resultado antes do Natal, e pegamos dia 23/12 às 20h30… Mas nesse dia já tínhamos praticamente certeza que o Bruno tinha a Síndrome, porque passamos a observar mais, e eram várias evidências, apesar da pouca hipotonia (o que vem garantindo seu bom desenvolvimento, dentre outros fatores). Me conte quando tiver o resultado, e mande notícias do Vicente! Bjs

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