Mostrando o mundo e a vida

Para mim, mãe do Bruno e da Elisa, a palavra “estimular” tem inúmeros significados, mas um que combina muito bem é “mostrar o mundo”, “mostrar a vida”. Porque penso que funciona assim: a criança nasce, e a ela começa a ser apresentada a vida. Dependendo do seu instinto natural, da sua própria curiosidade – o que naturalmente varia muito de pessoa para pessoa – ela vai passando as fases do desenvolvimento.

Agora imagine que, sabendo você que seu filho ou sua filha está sujeito(a) a uma condição genética desfavorável, e qual é a próxima fase do desenvolvimento de uma criança, você vai e se antecipa. Antes que ela tente fazer algo, você a desafia, a mostra que ela pode fazer aquilo. Calma, não tem nada a ver com desestimular a curiosidade e entregar a surpresa pronta, muito pelo contrário. É fazer surgir a situação de forma que a criança possa despertar sua curiosidade, e então tentar fazer aquilo, ao invés de você simplesmente esperar que ela perceba a possibilidade sozinha (o que pode demorar).

Exemplo: o bebê fica deitado. Você pode esperar que ele tente se sentar para olhar em volta e descobrir o mundo na vertical, ou você pode decidir estimulá-lo, e colocá-lo sentado apresentando a ele o mundo na vertical, aquele que todas as outras pessoas estão vendo, muito mais interessante que o horizontal. Resultado: após algumas “demonstrações”, que naturalmente exigirão da criança um certo esforço, ela mesma se mostrará interessada em levantar-se e sentar-se (sozinha) para atingir aquela posição que pôde constatar ser muito mais interessante.

E assim por diante.

Muitas pessoas me acham exagerada na atenção à estimulação do Bruno. Sei lá, pode até ser que estejam certas, mas não me preocupo em gastar tempo tentando descobrir quem está com a razão. Prefiro aproveitar cada minuto fazendo o que acredito. Quando a tia Sandra (fono) disse que ele tinha que mastigar, mesmo não tendo dentes, pareceu estranho. Mas ela tem experiência, decidi investir nas suas orientações. Não foi fácil, mas adicionamos, com paciência e persistência, o estímulo à participação na refeição, desde quando começou a comer no cadeirão. Muitas pessoas acham que, nesta fase, porque a criança na participa, é indiferente você colocar o prato na frente dela, a colher na mão dela, porque ela nem sabe o que está fazendo. Ledo engano.

Resultado: hoje o Bruno briga para pegar na colher, e exige a “faca”. Faz bagunça, mas se estiver com apetite (o que ocorre quase sempre), leva a comida sozinho à boca. Se eu tenho orgulho? Claro, e muito!
Comendo

Comendo1

Agora tem também a história da fralda. Quando, no ano passado, a tia Lia (terapeuta) sugeriu começar a tirar a fralda em janeiro, tive um sentimento estranho, misto de medo com dúvida, descrédito e “preguiça”. Entre aspas, mas no sentido de já saber o trabalho que isso dá, porque na época da Elisa não foi fácil, e com ele, menos ainda. Será???

Veio o calor, com ele as alergias na pele, e graças a Deus temos a Mari, a babá, que é animada à beça. Comecei a chegar na hora do almoço em casa, e ela me dizer que o Bruno ficou sem fralda. No outro dia de novo, durante toda a manhã, e assim por diante. Resolvi investir. Vovó, que fica com eles no período da tarde (a escola está em férias), encarou, porque também é animada que só vendo. Com as festas de fim de ano e agora minhas férias, estou conseguindo me dedicar a essa nova fase. Gente, tá uma belezinha, até a Elisa ajuda (em tudo, por sinal, com seu exemplo e atividade constante). É claro que ainda não arriscamos sair de casa assim, estamos no início, mas é incrível como ele nos surpreende. Eu imaginava que porque não sabe falar, ele não teria como avisar ou pedir xixi ou cocô. Mas aí pensei: ele tem tantas outras formas de se comunicar! Agora é assim: tá acordado, fica de cueca. De meia em meia hora, vai com a “torneirinha” molhar a graminha do quintal, ou jogar o xixi no vaso. Umas duas ou três vezes por dia senta-se com o redutor no vaso, e aí vem também o “número dois”. Principalmente se ele chama a gente e faz cara de força, quer dizer que quer fazer o cocô…rs… Não tenho dúvida que o processo será longo, mas o que importa é isso: não retrocederá. E o Bruno já foi apresentado ao mundo dos “sem fralda”, está se situando nele, e em breve, ficará à vontade. Porque está sendo estimulado. Cueca

Penso que deve ser assim com tudo: vestir-se, cuidar-se, alfabetizar-se. Nós, pais e cuidadores, olhando lá na frente, e criando um ambiente em que ele possa dar o próximo passo. Sempre em frente, sempre. E quanto antes, melhor. Até os três anos, depois os sete, depois os 21, são as fases em que o ser humano está mais aberto à aprendizagem, cada vez menos. Então é prá já!

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8 respostas para Mostrando o mundo e a vida

  1. sandra disse:

    Lu, parabéns! Você é capaz de ver, enxergando.É muito difícil encontramos pessoas como você.Adoro muiiito essa família. Beijos sandra

  2. Dinda disse:

    Cada vez mais esperto e lindo!!!

  3. rosa jarussi disse:

    O Bruno esta se desenvolvendo muito bem.Fico feliz contudo que esta acontecendo na vida dele.Parabéns.

  4. Lu Dias disse:

    Oies!
    Saibam que é uma alegria acompanhar vocês por aqui e seguir o desenvolvimento do Bruno.
    2013 trará surpresas lindas!
    Bjo!!

  5. Fernanda disse:

    Lú, parabéns!!!…com nossos filhos, não gastamos nosso tempo, investimos o tempo com as coisinhas mais importantes da nossa vida!!!!…”Deus criou o infinito, porque podemos sempre mais”…bjs Fer

  6. Rosani Bettiol disse:

    L
    Lú eu como sua mãe sinto muito orgulho de você vendo sua dedicação com o Bruno e Elisa,e como avó fico feliz de ver o desenvolvimento deles, amo vocês, bjss…

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