O que dizer ao seu filho sobre o amigo com Síndrome de Down

Tenho certeza que essa é uma dúvida de muitos pais, já que a criança de até uns 10 anos (a depender do seu contexto social) ainda não tem a clara noção da diversidade humana que a cerca. Na verdade eu me coloco no lugar desses pais, e vejo que se não tivesse o Bruno, também teria uma interrogação.

Suponhamos que seu filho tenha um parente, ou amigo na escola, com Síndrome de Down. Não sei como você encara essa ideia, mas tenha certeza que ter amizade com uma criança com qualquer tipo de deficiência é muito bom para as duas crianças. Seu filho terá a oportunidade de saber lidar com a diversidade e ser uma pessoa melhor, e você pode facilitar isso.

Mas o que dizer sobre a Síndrome? Bom, enquanto ele não perguntar nada, relaxe, você também não precisa explicar. Deixe que a coisa flua. E aqui eu faço o meu primeiro pedido: aja o mais naturalmente possível, por mais que a situação não seja tão natural nem mesmo para você (por desconhecimento e inexperiência). O seu exemplo de como reagir perante o meu filho vai funcionar como um espelho para o seu filho, então, por favor, não demonstre pena, e independentemente das suas expectativas quanto à nossa reação, aja diante de nós da mesma forma como você agiria junto a qualquer mãe com qualquer filho.

Depois vai chegar um momento em que seu filho vai perguntar algo, ou fazer uma observação do tipo “nossa, o Bruno (por exemplo) já tem 3 anos e não sabe falar quase nada!”. E aqui estou supondo que seu filho é do tipo “sutil” (rs…), porque também existe uma grande possibilidade dele dizer algo bem alto e brutal, no meio de uma brincadeira com a galera toda, do tipo: “pula a vez do Bruno porque ele não vai entender mesmo”. Ai. Calma. Neste momento não vai ser legal você simplesmente me pedir desculpas e arrastar seu filho para longe. Pode parecer a maior malcriação da tarde, mas arrisco dizer que provavelmente seu filho não disse isso por maldade. Apesar de não ser nada delicado, lá pelos 6 ou 7 anos, especialmente os meninos, são muito objetivos, ao contrário das meninas, que são muito mais sensíveis. Pois bem, vá em frente e aproveite o momento para uma intervenção feliz, e por favor, não faça a cena parecer mais grave do que é (nem menos). Diga, por exemplo: “ei, ele está brincando junto, e caso não consiga fazer, nós vamos ajudá-lo, certo? Tenho certeza que ele vai aprender”. Ah, e tem um detalhe: nem pense em deixar o garoto com SD como “café-com-leite” na brincadeira, ok? E se você for a mãe desse garoto meio rude que propôs deixar a criança com SD de fora da brincadeira, e quiser ir mais a fundo numa conversa sobre respeito, deixe para quando chegar em casa. Então, se for o caso, explique que o amigo tem, sim, uma certa dificuldade para aprender ALGUMAS coisas, mas que sempre consegue aprender, mesmo que pareça demorar um pouco mais. Independente deste amigo não responder da forma que a gente espera, ainda assim é muito importante tratá-lo como às demais pessoas.

Isso também é bem importante: use o que eles têm em comum – estão na mesma turma da escola, gostam de jogar bola, assistir TV, que ambos ficam contentes quando aprendem algo novo… etc… e citar outros exemplos de diferenças também pode ajudar a criança a entender esse novo contexto que se apresenta: “em nossos passeios, na escola, na igreja, em vários lugares você pode perceber que algumas pessoas são diferentes das outras, isso porque NINGUÉM É IGUAL A NINGUÉM neste mundo, e isso é o que tem de mais gostoso – todos os seus amigos são diferentes, seja na cor, no tamanho, na aparência ou no comportamento!”.

Jamais diga ao seu filho que a Síndrome de Down é uma doença. Se você achar necessário nomeá-la, diga simplesmente que é uma característica que algumas pessoas possuem, da mesma forma que cada um nasceu de um jeito ou de outro – com os olhos verdes ou castanhos, com o cabelo liso ou enrolado, com habilidade de nadar ou de fazer contas, com talento para música ou para esporte, com alguma alergia, etc…

Tenho percebido que uma das diferenças que as crianças mais notam no Bruno (e nas demais crianças com Síndrome de Down) é a dificuldade da fala. Pois bem, se possível, deixe claro para o seu filho que mesmo não sabendo falar muita coisa ainda, essas crianças são capazes de ENTENDER tudo, e que só porque não falam, não significa que eles não ouvem.

Para encerrar, não espere a escola abordar com seu filho a importância da tolerância, do respeito e da amizade. Esses valores começam em casa, e irão ajudá-lo nas mais diversas situações, por toda a vida. Como sugestão, use histórias infantis, por exemplo as fábulas escritas pela professora Débora Seabra, que por sinal tem Síndrome de Down. Ela lançou um livro de fábulas infantis que têm a inclusão como pano de fundo, usando animais de uma fazenda como protagonistas. Clique AQUI e saiba mais.

Desenhando

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31 respostas para O que dizer ao seu filho sobre o amigo com Síndrome de Down

  1. Amália disse:

    Muito legal! Bacana como vc explica !

  2. André disse:

    Gostei muito do texto. Gostaria de saber se posso reproduzi-lo no Blog Saber Melhor (www.sabermelhor.com.br) . Se você autorizar, darei o crédito ao seu Blog

  3. Dinda disse:

    E viva o BRUNO!!!!! Lindo, gostoso e queriiiiiido!

  4. Flávia Nelson disse:

    Lindo artigo. É isso aí. Vive la différence!

    Obs: que graça o Bruno. Que sorriso. Menino feliz! Parabéns.

  5. Perfeitoooo…. lindo texto!
    Parabéns!!!
    Bj Bj
    Pri Aitelli

  6. Cinthia Pereira disse:

    Super bacana.. Achei ótimo o texto!

  7. Texto maravilhoso… Parabéns! Ainda não escrevi textos abordando o assunto, minha filha ainda é pequena não tenho muita experiência!
    Beijos

  8. Ana Bagarolo disse:

    Muito legal!

  9. Tatiana Vaz disse:

    Parabéns pelo texto. Muito fofo o Garoto e que bochecha!!! Da vontade de morder!!!
    Bjos

  10. Olás! Me autoriza a compartilhar na minha coluna “Mamãe Down Up” também? È um espaço no blog Tudo Bem Ser Diferente. Conhece? Veja aqui:http://tudobemserdiferente.wordpress.com/2013/12/10/mamae-down-up-por-ana-flavia-jacques-2/
    Parabéns pelos textos esclarecedores e muito bem escritos!

    Abraços, Ana Flavia Jacques

  11. Jorge Cintra disse:

    A DISCRIMINAÇÃO ESTÁ NO OLHAR DAS PESSOAS, NAS PALAVRAS E COMENTÁRIOS FEITOS POR QUEM NÃO ENTENDE E NÃO SABE O QUE É AMOR AO PRÓXIMO.

  12. Ana Paula disse:

    Olá. Sou jornalista do portal Movimento Down e gostaria de autorização para publicar este texto.
    Um abraço,
    Ana Paula.

  13. Taí a coluna: Título: Da série: gostaria de ter escrito – “O que dizer ao seu filho sobre o amigo com Síndrome de Down”..rsrsrsrs. Bjs ♥
    http://tudobemserdiferente.wordpress.com/2014/03/07/mamae-down-up-por-ana-flavia-jacques-3/

  14. Mônica disse:

    Eu tenho 2 filhos, um tem Síndrome de Kabuki(Gustavo) e o outro (Guilherme), nada. De vez em quando o Gui fala, o Gustavo é burro porque ele pinta fora do desenho. Eles têm 6 e 5 anos respectivamente e eu falo pra ele assim: Meu filho, ninguém é burro. Cada um tem suas dificuldades. O Gu tem dificuldade de pintar, mas é um atleta de ponta. E é assim na vida, cada um é Especial em alguma coisa. Todos somos especiais e temos nosso tempo para aprender as coisas…

    • Kelly Cristina Martins disse:

      Perfeito vc ta certinha …..eu sou mãe de um lindo garoto de 6 anos qe nasceu com uma lesao medular…ele tem algumas limitações….mas um coraçao de ouroooo !!!!e um sobrinho de 7 anos com sindrome de dow !!!um lindoooo.

  15. lilas666 disse:

    Republicou isso em Cosmopolitan Girl.

  16. Rose Lima disse:

    muito lindo,tenho uma sobrinha com SD, Ela e a nossa joia RARA…gostaria se repassar o seu texto, Para que outras pessoas possam ler e REFLETIR…

  17. Renata Buselli disse:

    Lú, adorei conhecer seu blog. São informações muito importantes para pais, amigos, professores, ou seja, para toda a sociedade. Parabéns!!! Bjs

  18. Pingback: O que ensinar ao seu filho sobre o amigo com Síndrome de Down? - Movimento Down | Movimento Down

  19. Jô Bibas disse:

    Ótimo texto. Gostaria que vc conhecesse esses textos sobre inclusão escritos há algum tempo, mas que não envelhecem. A intenção é que possam ser aproveitados, pois estão aí, escondidinhos nesse mundo da internet. São interessantes por serem resultado de intervenções complementara de professores que tinham alunos com Síndrome de Down em suas classes regulares.
    Jô Bibas
    http://inclusaoaprendiz.wordpress.com

  20. Pingback: O que ensinar ao seu filho sobre o amigo com Síndrome de Down? - Síndrome de Down Inclusão

  21. duduonobre disse:

    Republicou isso em A Vez do Papaie comentado:
    Boas dicas para os pais que não sabem bem como trabalhar a questão da diferença de crianças com Síndrome de Down junto aos filhos.

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