Muito além de “ter uma irmã”

O Bruno nasceu 2 anos e 3 meses depois da Elisa, e causou muito ciúmes na pequena, como já era previsto. Depois do primeiro mês, quando veio a notícia da Síndrome de Down, não foi fácil (aliás foi impossível) não prejudicá-la com uma ausência adicional da minha parte, dado o abalo psicológico e a agenda cheia de consultas médicas, pesquisas, inícios de terapias e tudo o mais… ufa, coitada! No dia em que completou 1 ano, o Bruno levou um empurrão tão forte que caiu pra trás feito um poste – ela não suportou o mimo todo (adicional) que ele estava recebendo naquele dia. Também foi episódio único, parece que ali ela despejou a raiva acumulada por 1 ano, e ficou aliviada, glória a Deus!

Passados 5 anos, ninguém precisa perguntar nada para que a Elisa demonstre, com toda a transparência e espontaneidade permitida pelos seus 7 anos, que o Bruno é o melhor presente da sua vida. Meu coração estufa de alegria quando vejo o quanto eles são felizes por terem um ao outro!

Já faz tempo que a Elisa percebe as limitações do Bruno. Mas só recentemente eu denominei pra ela que “ele tem Síndrome de Down”. Fui deixando fluir, na naturalidade da convivência entre eles, a noção de que cada um aprende as coisas no seu ritmo e do seu jeito. Acho que deu certo, porque ela encara a diversidade entre as pessoas de uma maneira MUITO natural (dentro do limite que sua infantil maturidade permite, é claro), e eu adoro isso. Talvez ela nem fosse diferente se não tivesse um irmão com deficiência intelectual (isso jamais saberemos), mas é nítido o quanto a Elisa gosta de apoiar, inserir e animar seus amigos. Esse ano recebeu uma colega estrangeira na classe do colégio, e já fez questão de se tornar sua melhor amiga para poder ensinar-lhe a nossa língua, costumes e tudo o mais. Ela inclusive expressa verbalmente que gosta de desafios, e de ajudar seus amigos. Eu confesso que fico orgulhosa como mãe,  não tem jeito.

Para o Bruno, Deus não poderia ter preparado nada que trouxesse mais amor, amizade e estímulo do que a Elisa lhe proporciona. E o mais legal é que a leveza da relação entre eles proporciona conquistas infinitamente maiores do que qualquer terapia, mediação ou intervenção realizada por um adulto, mesmo que da família (principalmente). Exemplo recente, aconteceu há menos de 4 horas: Bruno pega a tarefa de escola pra fazer, Elisa senta-se ao seu lado com uma folha em branco, e reproduz uma tarefa igualzinha para ela. Nada pode incentivá-lo mais, e ela fica toda cheia de orgulho do seu poder de persuasão, especialmente quando eu não consigo convencê-lo, por exemplo, a calçar seus próprios sapatos ou ir para o banho, mas ela vem com seu charme, cria uma estratégia e o sacana obedece 🙂

Aos meus dois filhos, muito obrigada por se completarem tanto. A Deus, minha eterna gratidão por fazer o melhor para nossas vidas, à Sua maneira, mesmo que isso quase sempre fuja à nossa compreensão.

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2 respostas para Muito além de “ter uma irmã”

  1. Lu Dias disse:

  2. Luana disse:

    Linda essa historia de irmãos. Eu também tenho dois filhos: Alice (6 anos) e Arthur (1a 10m) que tem SD. Eu costumo dizer que a irmã é a maior estimuladora dele (rsrsrsrs). Só que ao contrario de você, sempre falei para Alice da condição genética do irmão, claro que na linguagem da qual ela possa compreender, deixando claro que cada um tem seu ritmo, e graças a Deus deu certo, e ela encara com naturalidade essa diversidade.

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