Aceitar ou não, eis a questão

Eu assisto às Paralimpíadas e me pergunto: “o que realmente significa ACEITAR?” Quando esses atletas se depararam com a deficiência, como eles e seus familiares “aceitaram?” Que bom se a sociedade conseguir entender, por meio desses impactantes e vitoriosos exemplos, que aceitar a pessoa como ela é (e ela mesma aceitar-se como indivíduo que é como é), não significa aceitar as limitações impostas pela deficiência. Muito pelo contrário. Quando você aceita você simplesmente não foge. Você encara, assimila, e vai à luta.

Mas vai à luta com um “Q” de inconformismo. De não aceitação… Rs… Veja como a questão é ambígua…! Com o tempo, eu aprendi a aceitar que o Bruno nasceu com Síndrome de Down, e que essa condição genética pode acarretar algumas alterações em seu desenvolvimento. Tanto aceito que assumo com ele essa condição e procuro toda a ajuda científica, profissional, divina, familiar…. disponível, existente ou a ser descoberta, que possa auxiliar-nos a enfrentar essa condição. Tanto aceito que amo meu filho em grau infinito, do jeitinho que ele é, sem mudar qualquer detalhe. Tanto aceito que quando ele fala comigo (e é muito), fecho meus olhos e ouvidos para qualquer outra coisa, paro o relógio se preciso for, para entendê-lo e dar-lhe uma resposta.

Mas quando ele quer desistir, não aceito. Quando ele faz corpo mole para algo que eu sei que ele é capaz, também não aceito. Quando ele se frustra porque percebe sua dificuldade, não aceito, e pego na mão dele quantas vezes precisar. É como se a cada dia a gente aprendesse a medida, jamais exata, do quanto, quando, e o quê aceitar. E a gente vê se está acertando essa medida quando acontecem coisas incríveis como esta: essa semana, nós quatro na varanda, a pessoinha simplesmente se levanta de onde está, vai lá, pega o giz e por iniciativa 1000% sua escreve seu nome e da sua irmã na lousa. BRUNO. ELISA.

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E não é que escreveu mesmo?

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Obrigada Deus por momentos simples mas incríveis como este, que nos dão a impressão de que todo esforço vale a pena, e de que talvez estejamos no caminho certo. Bruno, você chega lá!

 

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2 respostas para Aceitar ou não, eis a questão

  1. Rosani Bettiol disse:

    Tudo vale a pena…
    Bruno é mais que especial, é muito esperto, me emocionei quando li, pena que eu não estava presente nesse momento mágico.
    Bruno vai longe.

  2. Lu Dias disse:

    Vai Bruno!! 🙂

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